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CISAB ZM presente no 22.º Encontro de Engenharia Sanitária e Ambiental / 22.º Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental (ENaSB | SILUBESA) 

Publicado dia 06 de outubro de 2026
Categoria:
silubesa

Logo após o término do nosso Encontro de Engenharia Sanitária e Ambiental (EnSAN 2026), que foi um grande sucesso, a equipe de engenharia do CISAB ZM partiu rumo a mais um importante encontro da área: o 22.º Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 

O 22º SILUBESA ocorreu dos dias 30/09 a 02/10 na Universidade do Algarve em Faro, Portugal, com o tema “Da escassez da água à criação de valor”. O encontro reuniu profissionais, pesquisadores, gestores públicos, entidades gestoras, universidades e empresas ligadas aos setores de saneamento, recursos hídricos e meio ambiente. 

Com uma programação voltada à troca de conhecimentos e experiências, o evento abordou os desafios atuais e as tendências para o futuro dos serviços de abastecimento de água, especialmente diante da iminente escassez hídrica e da necessidade de adoção de soluções mais resilientes e sustentáveis para a gestão dos recursos hídricos. Entre os principais assuntos estiveram: governança e a eficiência dos serviços, gestão integrada dos recursos hídricos, reutilização de água e a dessalinização, qualidade da água e os micropoluentes, economia circular, segurança hídrica, gestão de resíduos, comunicação e educação ambiental e a aplicação da inteligência artificial à tomada de decisões. 

A programação contou com plenárias, MasterClasses e visitas técnicas ao Centro de Gestão e Controle Centralizado da Infralobo e ao sistema de produção e fornecimento de Água para Reutilização da ETAR de Vilamoura. 

Além de participar desta rica programação, o CISAB também teve um trabalho submetido e aprovado pelo simpósio, tendo a oportunidade de apresentá-lo no evento. O artigo “Gestão consorciada do saneamento para universalização em pequenos municípios Brasileiros” é de autoria de Jackeline de Siqueira Castro, João Paulo Silva Oliveira, Luana Nascimento Procópio Santos e Iolanda de Sena Gonçalves. 

A seguir, nossa equipe de engenharia com a palavra: 

 

Qual a importância da participação do CISAB em um evento desta magnitude? Participar de um evento como este coloca o CISAB ZM no centro das discussões mais atuais sobre o saneamento no mundo. É também uma oportunidade de demonstrar que um consórcio intermunicipal, formado majoritariamente por municípios de pequeno porte, produz conhecimento técnico de qualidade, compartilha experiências e pode contribuir efetivamente para a construção de soluções aplicáveis aos desafios do setor. 

O evento também fortalece a aproximação com universidades, pesquisadores, instituições e prestadores de serviços públicos e privados, ampliando as possibilidades de cooperação, desenvolvimento de projetos e troca de experiências. Esses espaços favorecem a criação de conexões que podem se transformar em parcerias importantes para o aprimoramento dos serviços prestados pelo CISAB ZM aos seus consorciados. 

Além disso, tivemos contato com tecnologias e soluções que podem ser incorporadas ou adaptadas à realidade do Consórcio e de seus municípios, como sistemas de telemetria e monitoramento remoto, automação de processos de tratamento, ferramentas digitais para gestão e controle de perdas de água, aproveitamento energético do biogás gerado em estações de tratamento de esgoto e tecnologias voltadas ao tratamento e ao reúso de águas. A proposta é avaliar a viabilidade técnica e econômica dessas alternativas para municípios de pequeno porte e, sempre que possível, adaptá-las às realidades locais, buscando maior eficiência operacional, redução de custos e melhoria da qualidade dos serviços de saneamento oferecidos à população. 

 

Como foi participar das visitas técnicas e palestras e o que vocês puderam absorver dessas experiências? 

O 22º ENaSB | SILUBESA aconteceu em Faro, no Algarve, uma região que convive de perto com a escassez de água, e isso deu um sentido muito prático ao tema do evento, “Da Escassez da Água à Criação de Valor”. O primeiro dia foi dedicado às visitas técnicas. Na Infralobo, em Vale do Lobo, conhecemos um centro de controle operacional em que hidrômetros com leitura remota, sensores instalados nas redes e mapas georreferenciados são integrados em uma única plataforma, acompanhada em tempo real. Esse modelo de supervisão centralizada permite identificar anomalias rapidamente e controlar perdas, e o resultado impressiona: um índice de perdas de água em torno de 8%, muito abaixo do que costumamos ver no Brasil e até em outras regiões de Portugal. Depois, na ETAR de Vilamoura, operada pela Águas do Algarve, vimos um sistema de ultrafiltração por membranas que produz água para reutilização, usada principalmente na irrigação de áreas verdes e campos de golfe. Foi muito interessante entender como o reuso entra no planejamento como uma fonte alternativa de água, e também discutir com os técnicos os cuidados de longo prazo, como o monitoramento do solo que recebe essa água. 

Nos dois dias seguintes, acompanhamos prioritariamente as plenárias e sessões técnicas mais ligadas à realidade do CISAB, que reuniram governo, reguladores, operadores, universidades e empresas de vários países. Na plenária sobre governança, foram discutidos modelos de gestão territorial, regulação e sustentabilidade econômico-financeira dos serviços. Na de soluções baseadas na natureza, conhecemos experiências como arborização urbana, jardins de chuva e bacias de retenção de águas pluviais. Nas sessões técnicas, vimos trabalhos sobre controle de perdas, eficiência energética em estações elevatórias e gestão de serviços em pequenos municípios. Também percorremos a exposição técnica, onde conhecemos soluções de telemetria e automação para gestão da água e equipamentos de coleta seletiva, e fizemos contatos com empresas para futuras trocas de informação. 

 

Sobre o trabalho apresentado pelo CISAB, como foi desenvolvê-lo e apresentá-lo no simpósio? 

O trabalho “Gestão consorciada do saneamento para universalização em pequenos municípios brasileiros” nasceu de uma pergunta que faz parte do nosso dia a dia: como os municípios de pequeno porte, que enfrentam limitações financeiras, técnicas e institucionais, podem alcançar as metas do Novo Marco Legal do Saneamento, de 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033? Para responder, analisamos o próprio CISAB ZM como estudo de caso, reunindo documentos institucionais e indicadores de 2025 das áreas de compras e licitações, engenharia e do CISAB LAB. Foi um trabalho coletivo, que nos obrigou a olhar com cuidado para os nossos próprios números e a transformar a rotina do consórcio em um documento voltado para o meio acadêmico e científico. 

Os resultados mostraram com clareza a força do modelo consorciado. Na época em que o trabalho foi escrito, eram 52 municípios consorciados e cerca de 1 milhão de habitantes atendidos. Só em 2025, as licitações compartilhadas geraram uma economia de R$ 9,22 milhões para 40 municípios, com reduções de mais de 30% em itens como tubos e conexões de PVC e produtos químicos. O atendimento de requerimentos cresceu 77,5% em relação ao ano anterior, e o interesse de municípios não consorciados em aderir às nossas atas saltou de 7,5% para 41,8%. A principal conclusão é que o consórcio vai muito além do ganho de escala nas compras: ele funciona como uma plataforma de fortalecimento institucional para os municípios. 

Ter o trabalho aprovado pela Comissão Científica e apresentá-lo em um evento de renome internacional foi motivo de muito orgulho. Na sessão de pôsteres, conversamos com pesquisadores e profissionais do Brasil e de Portugal, que demonstraram bastante interesse pelo modelo. Para nós, foi a confirmação de que a experiência construída aqui na Zona da Mata tem valor e pode inspirar outras regiões. 

 Como esta participação beneficia nossos consorciados? 

Tudo o que vimos e aprendemos no congresso tem como principal interesse beneficiar os municípios consorciados. A visita à Infralobo, por exemplo, mostrou como a integração de hidrômetros com leitura remota, sensores e mapas georreferenciados em uma única plataforma pode contribuir para a redução de perdas e para uma resposta mais rápida aos problemas identificados na rede. É um modelo que pode inspirar serviços de apoio técnico compartilhado, nos quais o CISAB ZM auxilie os municípios a pensar, planejar e conceber seus sistemas de forma cada vez mais eficiente. Da mesma forma, a experiência de Vilamoura com a produção e utilização de água para reúso apresenta uma alternativa relevante, especialmente diante de períodos de estiagem cada vez mais frequentes. 

Também trouxemos referências importantes para outras frentes do nosso trabalho. Os estudos sobre eficiência energética em estações elevatórias e a análise comparativa de estações de tratamento reforçaram a importância da construção de indicadores que permitam avaliar e comparar sistemas, algo que o CISAB ZM tem condições de desenvolver a partir dos dados e das experiências que já reúne junto aos municípios. As soluções baseadas na natureza, como arborização, jardins de chuva e bacias de retenção, também se apresentaram como alternativas aplicáveis à drenagem urbana e à adaptação às mudanças climáticas, inclusive em municípios de pequeno porte. Além disso, os contatos realizados com empresas durante a exposição técnica ampliaram o acesso a informações sobre tecnologias de telemetria, automação, monitoramento e coleta seletiva que poderão subsidiar futuras ações do Consórcio. 

A participação no simpósio também representa um importante avanço para o fortalecimento institucional do CISAB ZM. Estar presente em um evento que reúne profissionais, pesquisadores, instituições e empresas do Brasil, de Portugal e de outros países permite levar o nome do Consórcio para além de sua área de atuação, apresentar o trabalho desenvolvido junto aos municípios e demonstrar que um consórcio formado majoritariamente por municípios de pequeno porte também produz conhecimento, desenvolve soluções técnicas e tem experiências relevantes para compartilhar. 

Esse reconhecimento amplia a visibilidade institucional do CISAB ZM, fortalece sua credibilidade técnica e cria novas possibilidades de cooperação com universidades, instituições, empresas e outros serviços de saneamento. Ao mesmo tempo em que buscamos conhecimento e referências externas, também mostramos o que vem sendo construído na Zona da Mata mineira e valorizamos o trabalho realizado pelo Consórcio e pelos municípios consorciados. 

Assim, levar o nome do CISAB ZM a espaços técnicos e científicos como esse não representa apenas uma ação institucional. Significa ampliar a rede de contatos, abrir caminhos para novas parcerias, aproximar o Consórcio de experiências e tecnologias que podem ser aplicadas à realidade local e, principalmente, fortalecer sua capacidade de oferecer aos municípios consorciados serviços, projetos e soluções cada vez mais qualificados. 

Participar de um evento como o SILUBESA nos permite olhar para o que está sendo feito no saneamento em outros lugares e comparar essas experiências com a nossa própria realidade. Tivemos contato com prestadores de serviços e instituições que são referências, inclusive mundialmente, e isso nos ajuda a identificar tanto aquilo que ainda podemos melhorar quanto aquilo que já fazemos bem. 

Uma coisa que ficou muito clara para nós foi a força da gestão consorciada. Quando conhecemos outras experiências, percebemos que o modelo que temos no CISAB ZM é realmente um diferencial, principalmente porque permite que municípios menores tenham acesso a conhecimento técnico, estrutura e soluções que, individualmente, seriam muito mais difíceis de alcançar. 

Ao mesmo tempo, o evento nos apresenta novas tecnologias, diferentes formas de gestão e outras maneiras de prestar os serviços. Então, voltamos com muitas referências e ideias que podemos avaliar, adaptar à nossa realidade e, principalmente, transformar em melhorias e novas possibilidades para os nossos municípios consorciados. 

Ao final, cabe registrar nosso agradecimento ao CISAB-ZM pela oportunidade concedida e pela confiança depositada em nós para representar os mais de 50 municípios no evento. O investimento contínuo no aprimoramento técnico e na presença em fóruns de alto nível reafirma o compromisso do Consórcio com a excelência profissional de seus colaboradores e com o fortalecimento do saneamento básico nos municípios consorciados.